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De tempos em tempos as correntes de pensamentos retornam as suas origens. É um tipo de jogo de cartas marcadas, onde o tempo é efêmero e não se sabe se o calendário adotado é do modo gregoriano ou Juliano. E, se levarmos em conta as transformações que acontecem nas formas de comunicação, os impulsos criados pela juventude transviada com o advento das novas tecnologias no mundo das artes, e de que a citação, pura e simples, de qualquer literatura clássica ou a datação contextual da verossimilhança histórica do momento que vivemos resultaria em coisa alguma, notadamente verificou que nada mais é tão coeso do que a moradia das focas nas gélidas águas da Patagônia.

Aníbal era do tipo Juliano, avesso às questões estéticas modernas. Sua origem era humilde, antagônica as parafernálias eletrônicas atuais — cujo domínio ele desprezava. Oriundo da estética dos ‘Muralistas’ da fase pré-colombiana do mundo das artes na América Latina, Aníbal, refletia a cada instante se existia a possibilidade da união entre a doutrina do desapego com a esperança da revolução moralista subjacente.

Em outras palavras, Aníbal, estava mais para as anotações e rabiscos a lápis no caderno espiral do que digitar e teclar teses e argumentos em tablets, ipods ou notebooks. Mais para pinturas á óleo nas telas dos cavaletes políticos do que a experimentação estética da arte na tela de um computador.

Estranhos os momentos de um homem. A dualidade da vida impõe a visão estoica da realidade. E é essa dualidade que enfrentamos todos os dias. O velho e o novo surgem a cada momento. O contraponto da vida é o sistema em fusão nas fornalhas digitais da indústria do aço e a verificação de que quanto mais retiramos carbono e seus derivados, como o grafite e o diamante, mais resistência e flexibilidade conseguimos. Quanto menos carbono e menos oxigênio — mais aço puro e limpo. E aí cabe um paradoxo: o oxigênio, que tanto necessitamos para viver, responsável pela oxidação do ferro, alumínio e do aço, é o inimigo número um da indústria automobilística.

E isso cabe a todos os instantes da vida. Do carbono das notas fiscais do aparato burocrático tributarista econômico do sistema até o advento das notas fiscais eletrônicas, tudo é ciência.

A medicina caminha na mesma direção. A falta de ar circulante na urbanização edificante descontrolada das cidades nos traz novas indagações. Mas até aí morreu o Neves…

“Apareceu uma foca perdida em águas litorâneas brasileiras”. Essa foi à manchete do jornal e a principal e importante notícia que Aníbal leu numa manhã em que refletia sobre o nada…

Ator e Jornalista (bit.ly/32zd4SV)

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