Esboço para uma tese sobre os caracteres dos seres humanos

Primeiro Sujeito a ser Analisado: O Safado

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De todas as personagens existentes no cenário nacional talvez este o seja de grande valia.

Revelado em inúmeros textos do romanceiro tupiniquim, o Safado é referência em assuntos aleatórios. Um autor gaúcho e um mineiro o incluíram, definitivamente, no baluarte das grandes personalidades da história, em livros difundidos no final da década de 70 e no início da década de 80 do século passado, respectivamente. Outros autores, mesmo não fazendo referência a este adjetivo e substantivo masculino que, segundo um dicionário, surgiu em nosso país em 1553, demonstram uma simpatia indescritível por este ator social.

Não é muito difícil descobrir um Safado nas entranhas da vida. Nota-se um Safado desde a tenra idade. Na adolescência é capaz de instigar as mais salientes imaginações e sagacidades da humanidade. Na fase adulta caminha entre o erudito e o popular, cujas atitudes são apagadas pelo tempo. Quanto chega à maturidade investiga a própria nulidade da moralidade imposta pela sua categoria que há quase 500 anos está no poder. Pois é, o Safado é homem. E, deveria constar em algum dicionário: o Safado é sinônimo de machista. Mas do machismo que as mulheres gostam. As mulheres gostam de um homem safado. Um homem safado é um homem de bem.

O Safado é sedutor, libertino, sagaz, crítico e geralmente é acompanhado de uma beleza e um brilho natural no grande palco da nossa sociedade. O Safado é provocativo e especulativo. É sujo e limpo. O Safado é ativo mesmo quando passivo. Ele é a antítese da censura. É um safado mesmo.

O Safado é o nosso Bobo da Côrte. Mata-se o Rei, porém, come-se a Rainha — e ele continua firme na sua predisposição desavergonhada de ser o mais sensato dos seres humanos. É o idiota da família de Sartre.

Na economia o Safado é o responsável pela manutenção e equilíbrio das Bolsas de Valores. É o que merece atenção e investimentos. Ele transita entre o vulgar e o clássico. Entre o escândalo e o natural. E, quando não está no centro do grande palco político, encontra-se na coxia — como amante irrefutável da atriz do poder judiciário, ou no meio do público — de camarote, assistindo, rindo e gozando, aplaudindo ou vaiando, esse velho enredo do teatro nacional: a hipocrisia.

Um viva ao Safado brasileiro. Um modelo nacional.

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Dr. Hommuns Pinctus Erectus, Phd em Sociologia, semiologia e semiótica das massas.

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